Especialistas avaliam a retomada da indústria após tempos de coronavírus


 

O ano de 2020 parecia ser de recuperação para o setor industrial, que não teve um 2019 dos melhores, mas já apresentou uma pequena melhora. Contudo, a pandemia de coronavírus colocou, não apenas o Brasil, mas todo o mundo em uma grande crise econômica. O que vai acontecer depois de tudo isso, ainda é um pouco difícil prever, mesmo para os especialistas.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou que além da falta de liquidez, a indústria brasileira, em muitos casos, está tendo que lidar com a falta de insumos. Ele acredita que muitas empresas possam falir durante esse processo, de tentativa de controle da pandemia, por parte do mundo todo.

Os problemas de abastecimento não são de agora. Já no começo de março, quando a situação não estava tão grave no Brasil, 70% das empresas associadas à Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) já estava com dificuldade em repor insumos. Isso ocorreu porque muitos materiais vêm da China, o primeiro país afetado pela pandemia.

“Nós temos feito pesquisas semanais, e a última mostrou que 70% das empresas do setor estão com dificuldades de abastecimento devido ao surto de coronavírus. No primeiro levantamento que fizemos, em meados de fevereiro, esse número era de 52%, depois passou para 57% e chegou a 70% na pesquisa que fizemos no começo de março. A cada dia que passa, é maior o número de empresas atingidas”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Essa preocupação, com a aquisição de peças, se destaca dentre as indústrias que atuam com eletrônicos. Segundo o presidente da Abinee, cerca de 40% das peças têm origem chinesa e 80% vem do continente asiático.

José Ronaldo Souza Júnior, que atua como diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que prever o impacto resultante da pandemia ainda não é possível. Segundo ele, como não há um precedente histórico, fica difícil avaliar os rumos da atual situação na economia brasileira.

Seja qual for o rumo, a adequação da indústria, para essa nova realidade, é primordial. Já existem muitas delas que adotaram home office para as áreas administrativas. Já nas áreas nas quais isso não é possível, o  esquema de plantão de equipes vem sendo a alternativa encontrada. “Quanto mais cedo ficar claro que o Brasil está conseguindo controlar a escalada do nível de contaminação, menor será o dano econômico”, avalia Marçal, citando a importância do controle da pandemia.

 

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